Intervenção III
July 23, 2022Após a escolha do local para a intervenção do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, elaboramos um roteiro de entrevista para podermos ver as diferentes perspectivas do espaço sensorial do jardim de outras pessoas de fora da equipe. O roteiro usado para guiar nossa entrevista foi baseado em obter respostas que não são limitadas às nossas expectativas e que não se resumam à "sim" ou "não". A entrevista foi realizada por João Tavares e Pablo Bianchini, representantes do grupo no Museu. Confira, então, a transcrição da entrevista e uma conclusão analítica sobre a mesma:
Roteiro da Entrevista
- O que te trouxe até o museu? ( Por qual motivo escolheu estar nesse espaço?)
- Teria algum espaço/ atividade que não nos recomendaria vivenciar por algum motivo? (Por qual motivo?)
- Relate um pouco mais sobre o que conhece do surgimento da instituição. Ela te remete a qual vivencia do dia a dia?
- Qual sua relação afetiva com esse lugar (museu/ jardim sensorial)? (Como esse espaço te afeta?)
- Como você acha que o espaço é utilizado e qual sua representatividade para o museu. O que faria nele caso decidisse utiliza-lo?
- Conte-me se conhece a localização do jardim sensorial e o que acha sobre ela?
Entrevistado: Flavia Santos Faria, 43 anos, trabalha no museu 2007, bióloga com cargo
administrativo.
- Participou da fundação do jardim sensorial como projeto de acessibilidade para deficientes
visuais.
- Espaço do jardim é um espaço reaproveitado para dar função àquele local.
- Não acha o espaço “bonito” necessariamente, porém entende ele como funcional para o
objetivo proposto.
- Os usos gerais das pessoas do espaço são relacionados às plantas cultivadas e as interações e
usos que promovem.
- Não entende a localização do jardim como boa no espaço geral do museu, sendo ele
“escondido”, que se não for divulgado as pessoas não o visitam tanto.
- Não tem laços pessoais ou vínculos afetivos com o espaço apesar de ter participado da
fundação do jardim, entende o museu todo como ambiente de trabalho e gosta de todas as
áreas como tal.
Entrevistado: Pedro, 16 anos, estudante do segundo ano do ensino médio no colégio
Tiradentes, morador da região da Pampulha.
- Estava no museu por visita da escola através de excursão com foco em outros espaços fora do
jardim sensorial.
- No geral entende o ambiente do museu como um local de bem estar pessoal.
- Acha a localização do museu acessível por ser abundante em transporte público
principalmente.
- Não entende o museu como algo muito divulgado e conhecido pelo público geral, não havia
ouvido falar antes da excursão.
- Tem relação vinda da família de interação e apreciação por plantas em geral então sentiu
conforto e tranquilidade inicialmente sobre o jardim.
- Como impressões iniciais de ações no espaço do jardim, procuraria apreciar as plantas,
interagir e contemplar.
- Valoriza a conservação da cultura de preservação no lugar.
- Possui laços afetivos com o local por remeter à cultura familiar citada de interesse pela flora.
Entrevistado: Gabriel, assistente administrativo do setor educativo do museu desde 2015,
formado em história na UFMG.
- O jardim possuiu duas modalidades de visitação, livre ou guiada vendada.
-Vários aproveitamentos do espaço adjacente ao jardim (orquidário, local de exposições
temporárias, horta de mudas).
- O jardim liga-se com o museu através do trabalho da ideia do jardim botânico, que também é
foco do MHNJB, por meio das interações diversas e oficinas, fazendo uma experiência imersiva
no espaço como um todo.
- Entende o jardim como um espaço bastante procurado pela visitação, também por fazer parte
do circuito de visitação do jardim botânico.
- Tem como laço pessoal com o espaço a relação com o cultivo das mudas em casa e no jardim.
- O jardim demanda bastante manutenção, sendo feita diariamente por jardineiros designados
especificamente ao local, com cooperação do setor educativo para que não haja extrapolação
do contato proposto pelo jardim.
Entrevistado: Larissa, 25 anos, arqueóloga do museu.
- Começou a frequentar o museu ainda quando estava na graduação.
- Apesar de não ter frequentado nenhuma oficina no Jardim sensorial, ela considera bastante
válido a proposta de poder conhecer o espaço por meio dos sentidos, rompendo com a lógica
convencional.
- Relatou que se viesse ao espaço com o intuito de visitar, gostaria de explorar o lugar e que
tivesse lugares para sentar.
- Relatou que o espaço remete um contato maior com a natureza, por proporcionar atividades
práticas ligadas diretamente com a terra, recordando a imagem de "sítio". Segundo ela, o
espaço relembra um pouco a infância por proporcionar uma experimentação da natureza e
por relembrar algumas vivências ao longo da sua história, em espaços como a roça.
- Acredita que a localização do Jardim é bem escondida, dificultando a descoberta do espaço a
primeira vista, se tratando dos visitantes autônomos. Com relação aos visitantes que vem ao
museu por meio de excursão, não ocorre tanto esse prejuízo de conhecimento do espaço, pelo
fato das suas visitas serem guiadas pelas pessoas do educativo.
Entrevistado: Maria Júlia, 20 anos, 3° período do curso "Ciências Socioambientais".
- Conheceu o museu quando foi selecionada no edital para trabalhar na instituição.
- Acredita válida a prática realizada no espaço, por permitir a experimentação e por promover a
relação entre a natureza e sociedade.
- Os idosos também frequenta bastante o lugar, com o intuito de conhecer o benefício das
plantas presentes nele.
- Relata que o espaço retoma a educação cultural, na qual cada indivíduo reconhece os
benefícios das plantas, de acordo com os conhecimentos tradicionais, passado de geração a
geração.
- Acredita que o espaço traz um conforto para os funcionários do museu, além de possibilita o
consumo e a apropriação das plantas dispostas no local.
- Quando se tornou o instituto agronômico, houve um reflorestamento do espaço. O jardim
sensorial dispõe de plantas conhecidas localmente. Acredita que o jardim visa trabalhar um
vínculo social/afetivo.
- Acredita que o espaço remete um valor da agricultura tradicional, fazendo alusão a imagem
de "horta", na qual ela lembra sobre os ensinamentos da mãe sobre como realizar as práticas
de cultivo das plantas. (Acredita que tem um valor emocional).
- Acredita que o espaço ficará pacato com a vota da exposição da arqueologia, localizada de
frente. Acredita que ao designar o termo "jardim sensorial", cria-se a imagem de um espaço
com experiências ilusória (mais tecnológica, diferente da realidade presente no dia a dia),
frustrando um pouco a expectativas de algumas pessoas. Por isso, segundo ela, o espaço não
recebe tanta atenção em muitos casos.
Entrevistado: Sérgio Almeida de Melo, 49 anos, Engenheiro.
- Relatou que conhece o museu a bastante tempo e que frequentemente vai ao espaço com os
filhos.
- Está bem decepcionado as condições atuais do museu, quando relembra sua aparência no
passado.
- Relatou ter crescido em um meio rural, sendo assim, o cheio, o gosto, são elementos que
retomam lembranças da infância. Falou que algumas ervas vistas no local, ele desconhecia a
origem e o benefício, justificando a importância do jardim para adquirir conhecimentos
práticos.
- Acredita que o espaço tem um grande potencial, que deixa a desejar devido a ausência de
uma atenção no desenvolvimento das práticas. Segundo ele, deve-se ter um acompanhamento
mais frequente para fixação dos ensinamentos passados. Não acredita ser tão válido deixar o
espaço tão livre para a exploração.
- Acredita que a localização do local é pouco acessível, elevados preços para o acesso, não tem
visibilidade e promoção.
- Mesmo tendo uma relação com as práticas tradicionais, relatou não passar esse
conhecimento aos filhos, ficando restrito ao consumo dos produtos industrializados.
Entrevistado: Geraldo, jardineiro.
- Durante a manutenção no dia a dia são dispostas placas orientando sobre a preservação das
plantas, quando estou passando por um processo de plantio. Mas de forma geral, as plantas
ficam dispostas para serem exploradas, sem muitas restrições.
- É um espaço que fomenta a prática experimental.
- O conhecimento da cultivação foi adquirido por ensinamentos familiares.
Entrevistado: Deveniu, 62 anos, jardineiro.
- Trabalha na parte de plantas medicinais (planta, replanta, coloca na estufa, seca e repassa
para utilização em laboratório para a produção de remédios).
- O conhecimento de jardinagem foi adquirido por meio dos ensinamentos da mãe.
- As pessoas comem, cheiram, as plantas.


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