Ailyak (ay-lyak) é uma palavra intraduzível que vem do búlgaro e significa a arte de fazer tudo com calma, sem pressa, enquanto aproveita o processo e a vida em geral. Afirmo que essa foi a intenção gênesis e geral do grupo, isto é, nosso objetivo número um foi e continua sendo gerar sensações. E foi exatamente nesse processo que aprendemos a ter nosso primeiro contato com a arquitetura, foi criando sensações, a princípio, foi observando inúmeras pessoas e famílias interagindo e nos dando um pouco de seu tempo para aproveitar o que havíamos construído. Talvez Ailyak não tenha sido o projeto ideal ou o mais perfeito ou bem planejado, mas com tudo o que tínhamos e em tão pouco tempo, já nos satisfez justamente pela quantidade de momentos, sensações e experiências sensoriais criadas. A escolha pelo Jardim Sensorial do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG se deu após a exploração do conjunto de espaços do MHNBJ, em que foi avistado esse lugar que parecia estar bem escondido, quase imperceptível. À primeira vista, o espaço parecia estar bem desconexo com o conjunto, como se estivesse contido dentro de uma bolha totalmente a parte e inserida no espaço de uma forma totalmente desarticulada. Isso gerava uma impressão de que o espaço se expressava de forma bastante tímida, de certa forma sendo até mesmo reprimido. Tendo em mente que sua origem se deu com a finalidade de trabalhar os cinco sentidos, acreditamos ser necessário desenvolver uma proposta onde o espaço pudesse se externalizar e pudesse convidar as pessoas, sutilmente, a vivenciar o espaço.
Dentre os elementos físicos no espaço, o orquidário, o corredor e o Jardim Sensorial foram aspectos-base para a construção da proposta de intervenção. O orquidário contribui para um aspecto estético do espaço, ainda que passe despercebido geralmente, ele transparece visualmente uma sensação agradável. Após a entrada, nos deparamos com um corredor que nos guia diretamente até o espaço do Jardim Sensorial, não abrindo possibilidade para a exploração de todas as espacialidades, por parte dos visitantes.
Com relação ao Jardim, ele norteou a construção da intervenção pois a sua configuração espacial leva a um padrão de percurso, em que os visitantes realizam um trajeto em zigue-zague, enquanto apreciam os aspectos sensoriais com as plantas. Pode-se dizer que a disposição das plantas no espaço gera uma sequência de sensações distintas, muita das vezes sendo conflitantes, contrastantes ou até mesmo complementares. Portanto, nessa perspectiva, fica claro que ao apreciar o jardim, pode ser que uma experiência sensorial marcante, posteriormente se torne mais sútil.
Por meio da análise do local, segundo a leitura de Hertzberger, pôde-se perceber que ele contém um pórtico que separa a área externa da área interna, como se fosse um portal, além de conter um corredor no que guia intuitivamente até o Jardim Sensorial, sendo que o espaço vazio entre o orquidário e a estufa passa totalmente despercebido, como se existisse uma parede invisível que isola esse espaço.
Mediante a essas colocações e tendo em mente os conceitos de equivalência e polivalência de Hertzberger, nossa proposta de intervenção tinha como finalidade reforçar a expressão das sensações provocadas pelas plantas, criando uma certa espacialidade com a utilização de cores, sendo estas responsáveis por atuar nos aspectos cognitivos dos indivíduos. Com a finalidade de reforçar a externalidade do espaço, buscamos diluir a atenção marcante do pórtico na entrada, utilizando de elementos mais horizontais que reforçam o aspecto de continuidade. Além disso, no capítulo “Visão 1” do livro Lições de Arquitetura, podemos perceber como Hertzberger discute os principais parâmetros que visam o equilíbrio e a harmonia entre o isolamento e a abertura, isto é, a promoção de uma abertura convidativa, a fim de proporcionar interatividade e encontros, sem interromper ou prejudicar a privacidade e a individualidade necessária do usuário daquele determinado espaço.
Diante dessa análise, o grupo pode expandir nossa proposta para além da limitação do jardim a fim de promover uma maior abertura e convite para o público. O trepante e o sensor que fizeram parte de nosso projeto de intervenção buscou justamente ampliar essa espacialidade para demonstrar a importância da integração do ambiente externo no ambiente interno, sobretudo para promover uma comunicação e uma integração — que ocorrem de forma dialética, sempre — entre o mundo exterior e o ambiente construído.
De uma forma geral, buscamos construir uma intervenção que não demarcasse uma superioridade entre os fragmentos do espaço, enquanto retirasse do Jardim Sensorial as vivências sensoriais e espalhasse por todo o espaço, além de promover uma maior abertura, deixar o espaço mais convidativo e expandir a proposta sensorial já estabelecida pelo jardim a partir dos elementos atribuídos na intervenção.
Com relação ao espaço entre a estufa e o orquidário, buscamos construir um espaço com elementos que favorecessem a construção de diferentes espacialidades, conforme a incorporação de cada indivíduo. Por fim, gostaríamos de agradecer pela oportunidade que nos tornou um pouco mais próximos da noção do que podemos fazer e do impacto que podemos causar na vida de pessoas, mesmo que brevemente. Esperamos que, ao assistirem o vídeo final, possam também aproveitar o processo! Até breve.
A intervenção espacial selecionada no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG passou por diversos processos, desde a seleção do local até o planejamento e produção da própria intervenção. Para falar da intervenção em si, podemos começar citando como o projeto foi concebido desde o início até sua forma final, que deu início à própria produção física.
Desde o início do planejamento, a ideia era encontrar uma forma de integrar todo o espaço que compõe o jardim sensorial, para que todo o ambiente se encaixasse nessa proposta sensorial. Inicialmente, analisamos ideias como inserir “cortinas” de tecido para tentar diluir o alpendre inicial, que acabou por ter o efeito oposto do que queríamos alcançar.
Além disso, também foi considerado o uso de fontes de água, que podem suportar o som ambiente, e sinos de bambu na entrada. Embora tenha sido melhorado desde o início, uma ideia que permaneceu foi o uso de superfícies coloridas para refratar a luz solar. Com os primeiros StoryBoards, algumas dessas ideias foram desenvolvidas, como a substituição de cortinas de tecido por um sistema de CD, que causaria reflexos de luz solar na entrada. Outras ideias, como o uso de projeções e jogos de luz em espelhos, foram pensadas e testadas, mas acabaram abandonadas porque se mostraram impraticáveis.
Por fim, após a ideia inicial, chegamos ao plano final, que incluía um sistema de sensor de movimento na entrada que seria acionado à medida que o visitante passasse e acionaria um som que o convidaria a entrar no ambiente, exceto na entrada. Além do trabalho visual, há também um sistema de "escalada" que reflete a luz do sol e conecta o exterior do espaço com o interior. Ao longo do percurso interior, será colocada uma cobertura colorida para lançar luz solar nos pisos e paredes, lidando com recursos visuais, bem como uma subida contínua desde o exterior, também ao longo de todo o percurso, no espaço aberto, um na linha tensionada Dispostos no jogo de tecido.
Para a produção de todos estes componentes, foram realizados inúmeros testes para encontrar os materiais e técnicas ideais a aplicar neste caso, os materiais que acabaram por ser: celofane para capas coloridas, assim como misturas de nylon e para escalada Mantas térmicas elásticas , diversos tecidos e componentes eletrônicos como sensores de movimento que funcionam com o sistema Hydra. Abaixo estão algumas imagens gravadas do processo de produção no espaço.


O projeto de intervenção do grupo, formado por Eduardo Selga, Elisa Teixeira, João Tavares, Laura Quirino, Luiz Augusto, Miguel Mourão & Pablo Bianchini, começou com algumas ideias iniciais ilustradas nos StoryBoards abaixo, como efeitos sonoros criados pela reflexão do vento e da luz através do sistema de CD na entrada, painéis verticais coloridos refletindo a luz do sol durante o percurso e parte da fonte sendo bloqueada por um das placas de som.

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Uma performance corporal auxilia na incorporação do espaço e uma compreensão maior e milimétrica sobre seus componentes. Dessa forma, após a escolha do local para intervenção e entrevistas, o grupo, composto por Eduardo Selga, Elisa Teixeira, João Tavares, Laura Quirino, Luiz Augusto e Miguel Mourão (futuramente também por Pablo Bianchini), realizou uma performance que resultou em uma análise enriquecida para a construção da futura intervenção no Jardim Sensorial do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG.
Após a escolha do local para a intervenção do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, elaboramos um roteiro de entrevista para podermos ver as diferentes perspectivas do espaço sensorial do jardim de outras pessoas de fora da equipe. O roteiro usado para guiar nossa entrevista foi baseado em obter respostas que não são limitadas às nossas expectativas e que não se resumam à "sim" ou "não". A entrevista foi realizada por João Tavares e Pablo Bianchini, representantes do grupo no Museu. Confira, então, a transcrição da entrevista e uma conclusão analítica sobre a mesma:
Roteiro da Entrevista
- O que te trouxe até o museu? ( Por qual motivo escolheu estar nesse espaço?)
- Teria algum espaço/ atividade que não nos recomendaria vivenciar por algum motivo? (Por qual motivo?)
- Relate um pouco mais sobre o que conhece do surgimento da instituição. Ela te remete a qual vivencia do dia a dia?
- Qual sua relação afetiva com esse lugar (museu/ jardim sensorial)? (Como esse espaço te afeta?)
- Como você acha que o espaço é utilizado e qual sua representatividade para o museu. O que faria nele caso decidisse utiliza-lo?
- Conte-me se conhece a localização do jardim sensorial e o que acha sobre ela?
Entrevistado: Flavia Santos Faria, 43 anos, trabalha no museu 2007, bióloga com cargo
administrativo.
- Participou da fundação do jardim sensorial como projeto de acessibilidade para deficientes
visuais.
- Espaço do jardim é um espaço reaproveitado para dar função àquele local.
- Não acha o espaço “bonito” necessariamente, porém entende ele como funcional para o
objetivo proposto.
- Os usos gerais das pessoas do espaço são relacionados às plantas cultivadas e as interações e
usos que promovem.
- Não entende a localização do jardim como boa no espaço geral do museu, sendo ele
“escondido”, que se não for divulgado as pessoas não o visitam tanto.
- Não tem laços pessoais ou vínculos afetivos com o espaço apesar de ter participado da
fundação do jardim, entende o museu todo como ambiente de trabalho e gosta de todas as
áreas como tal.
Entrevistado: Pedro, 16 anos, estudante do segundo ano do ensino médio no colégio
Tiradentes, morador da região da Pampulha.
- Estava no museu por visita da escola através de excursão com foco em outros espaços fora do
jardim sensorial.
- No geral entende o ambiente do museu como um local de bem estar pessoal.
- Acha a localização do museu acessível por ser abundante em transporte público
principalmente.
- Não entende o museu como algo muito divulgado e conhecido pelo público geral, não havia
ouvido falar antes da excursão.
- Tem relação vinda da família de interação e apreciação por plantas em geral então sentiu
conforto e tranquilidade inicialmente sobre o jardim.
- Como impressões iniciais de ações no espaço do jardim, procuraria apreciar as plantas,
interagir e contemplar.
- Valoriza a conservação da cultura de preservação no lugar.
- Possui laços afetivos com o local por remeter à cultura familiar citada de interesse pela flora.
Entrevistado: Gabriel, assistente administrativo do setor educativo do museu desde 2015,
formado em história na UFMG.
- O jardim possuiu duas modalidades de visitação, livre ou guiada vendada.
-Vários aproveitamentos do espaço adjacente ao jardim (orquidário, local de exposições
temporárias, horta de mudas).
- O jardim liga-se com o museu através do trabalho da ideia do jardim botânico, que também é
foco do MHNJB, por meio das interações diversas e oficinas, fazendo uma experiência imersiva
no espaço como um todo.
- Entende o jardim como um espaço bastante procurado pela visitação, também por fazer parte
do circuito de visitação do jardim botânico.
- Tem como laço pessoal com o espaço a relação com o cultivo das mudas em casa e no jardim.
- O jardim demanda bastante manutenção, sendo feita diariamente por jardineiros designados
especificamente ao local, com cooperação do setor educativo para que não haja extrapolação
do contato proposto pelo jardim.
Entrevistado: Larissa, 25 anos, arqueóloga do museu.
- Começou a frequentar o museu ainda quando estava na graduação.
- Apesar de não ter frequentado nenhuma oficina no Jardim sensorial, ela considera bastante
válido a proposta de poder conhecer o espaço por meio dos sentidos, rompendo com a lógica
convencional.
- Relatou que se viesse ao espaço com o intuito de visitar, gostaria de explorar o lugar e que
tivesse lugares para sentar.
- Relatou que o espaço remete um contato maior com a natureza, por proporcionar atividades
práticas ligadas diretamente com a terra, recordando a imagem de "sítio". Segundo ela, o
espaço relembra um pouco a infância por proporcionar uma experimentação da natureza e
por relembrar algumas vivências ao longo da sua história, em espaços como a roça.
- Acredita que a localização do Jardim é bem escondida, dificultando a descoberta do espaço a
primeira vista, se tratando dos visitantes autônomos. Com relação aos visitantes que vem ao
museu por meio de excursão, não ocorre tanto esse prejuízo de conhecimento do espaço, pelo
fato das suas visitas serem guiadas pelas pessoas do educativo.
Entrevistado: Maria Júlia, 20 anos, 3° período do curso "Ciências Socioambientais".
- Conheceu o museu quando foi selecionada no edital para trabalhar na instituição.
- Acredita válida a prática realizada no espaço, por permitir a experimentação e por promover a
relação entre a natureza e sociedade.
- Os idosos também frequenta bastante o lugar, com o intuito de conhecer o benefício das
plantas presentes nele.
- Relata que o espaço retoma a educação cultural, na qual cada indivíduo reconhece os
benefícios das plantas, de acordo com os conhecimentos tradicionais, passado de geração a
geração.
- Acredita que o espaço traz um conforto para os funcionários do museu, além de possibilita o
consumo e a apropriação das plantas dispostas no local.
- Quando se tornou o instituto agronômico, houve um reflorestamento do espaço. O jardim
sensorial dispõe de plantas conhecidas localmente. Acredita que o jardim visa trabalhar um
vínculo social/afetivo.
- Acredita que o espaço remete um valor da agricultura tradicional, fazendo alusão a imagem
de "horta", na qual ela lembra sobre os ensinamentos da mãe sobre como realizar as práticas
de cultivo das plantas. (Acredita que tem um valor emocional).
- Acredita que o espaço ficará pacato com a vota da exposição da arqueologia, localizada de
frente. Acredita que ao designar o termo "jardim sensorial", cria-se a imagem de um espaço
com experiências ilusória (mais tecnológica, diferente da realidade presente no dia a dia),
frustrando um pouco a expectativas de algumas pessoas. Por isso, segundo ela, o espaço não
recebe tanta atenção em muitos casos.
Entrevistado: Sérgio Almeida de Melo, 49 anos, Engenheiro.
- Relatou que conhece o museu a bastante tempo e que frequentemente vai ao espaço com os
filhos.
- Está bem decepcionado as condições atuais do museu, quando relembra sua aparência no
passado.
- Relatou ter crescido em um meio rural, sendo assim, o cheio, o gosto, são elementos que
retomam lembranças da infância. Falou que algumas ervas vistas no local, ele desconhecia a
origem e o benefício, justificando a importância do jardim para adquirir conhecimentos
práticos.
- Acredita que o espaço tem um grande potencial, que deixa a desejar devido a ausência de
uma atenção no desenvolvimento das práticas. Segundo ele, deve-se ter um acompanhamento
mais frequente para fixação dos ensinamentos passados. Não acredita ser tão válido deixar o
espaço tão livre para a exploração.
- Acredita que a localização do local é pouco acessível, elevados preços para o acesso, não tem
visibilidade e promoção.
- Mesmo tendo uma relação com as práticas tradicionais, relatou não passar esse
conhecimento aos filhos, ficando restrito ao consumo dos produtos industrializados.
Entrevistado: Geraldo, jardineiro.
- Durante a manutenção no dia a dia são dispostas placas orientando sobre a preservação das
plantas, quando estou passando por um processo de plantio. Mas de forma geral, as plantas
ficam dispostas para serem exploradas, sem muitas restrições.
- É um espaço que fomenta a prática experimental.
- O conhecimento da cultivação foi adquirido por ensinamentos familiares.
Entrevistado: Deveniu, 62 anos, jardineiro.
- Trabalha na parte de plantas medicinais (planta, replanta, coloca na estufa, seca e repassa
para utilização em laboratório para a produção de remédios).
- O conhecimento de jardinagem foi adquirido por meio dos ensinamentos da mãe.
- As pessoas comem, cheiram, as plantas.
Conclusão sobre a entrevista
Como parte do processo para a intervenção final no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, em Belo Horizonte, apresento aqui um SketchUp sensitivo da Estufa 2: Jardim Sensorial, lugar escolhido para a realização de uma futura intervenção. No presente vídeo tento transcrever as sensações e sentimentos obtidos no lugar através de cores, texturas, formas e sons, visando criar uma base de ideias do que possivelmente poderemos provomer na intervenção.
Juntamente, trago o SketchUp sensitivo coletivo, elaborado por: Eduardo Selga, Elisa Teixeira, João Tavares, Luiz Augusto, Miguel Mourão & Laura Quirino.
Em uma sequência de substâncias, que provocam sensações e geram, consequentemente, ações. Dessa maneira, em mais uma visita rotineira ao local da futura intervenção, o grupo formado por Eduardo Selga, Elisa Teixeira, João Tavares, Luiz Augusto e Miguel Mourão, analisou as experiências e sensibilizações provocadas pelo ambiente. Analisando suas causas, isto é, substâncias e traduzindo para um mapa mental de ligações. Dessa forma, há um estímulo de ideias para o futuro projeto no Jardim Sensorial no Museu.
Escolher o local para uma intervenção não foi nada fácil, dado ser almejado, primeiramente, saber quais sensações e experiências gostaríamos de causar. No entanto, enquanto passeávamos pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, avistamos, bem escondido e quase imperceptível a entrada da Estufa 2, que dá lugar ao Jardim Sensorial do Museu. Em um primeiro momento, quando se adentra ao Jardim, observa-se um extenso "corredor" que deve ser percorrido antes de, finalmente, encarar o Jardim. Há um percurso vazio e que, para quem passeia pelo Museu, quase não compreende o que é o Jardim ou, até, supõe que o local está abandonado. Assim, apesar de a significação do Jardim Sensorial ser de estimular os cinco sentidos dos seres vivos, há uma lacuna entre o local que estão e a percepção da presença do local. Dessa forma, houve um interesse imediato pelo local. Além disso, pesquisando mais sobre o mesmo, encontramos sua definição, pelo próprio Museu: “O jardim sensorial propõe-se mostrar mais do que os olhos estão acostumados a ver. Seu objetivo principal é a estimulação dos sentidos através das plantas. O visitante irá sentir o cheiro das plantas aromáticas, o sabor das plantas comestíveis, a textura das folhas, ouvir o som dos pássaros e vento e observar a beleza das plantas. O espaço oferece recursos para ocorrer uma aprendizagem significativa, principalmente em crianças e pessoas com necessidades especiais”. Para haver uma compreensão plausível sobre a escolha da Estufa 2 como sede da intervenção, segue algumas imagens e contextualizações:
1 - Entrada do Jardim Sensorial
2 - Experiência de transição de entrada até o Jardim Sensorial
3 - Espaço vazio do Jardim Sensorial
Fonte: https://www.ufmg.br/mhnjb/exposicao/exposicao-jardim-sensorial/
Finalmente, a saga dos objetos paramétricos chega ao fim com a apresentação do protótipo e da versão do Não-Objeto. Nela, há a simulação do uso da eletrônica no Não-Objeto e o StoryBoard que resultou em um novo StopMotion, mostrando, por meio de uma ligação de fios, a luz se acende e quando desconectado, se apaga. O StoryBoard abaixo, elaborado por Eduardo Selga, Elisa Teixeira e João Tavares, transmite as ideias que foram concretizadas no StopMotion final. Segue as documentações:
1 - StoryBoard
2 - Protótipo do Não-Objeto com eletrônica
3 - StopMotion final e aprimorado
Em 2010 Marina Abramović, em Nova Iorque, se envolveu com uma performance chamada "A artista está presente" e o trabalho em questão foi inspirado em suas crenças de que a duração de uma apresentação serve para alterar a percepção do tempo e promover um envolvimento mais profundo na experiência. Sentada silenciosamente, trajada de um longo vestido vermelho em frente a uma cadeira vazia, ela espera enquanto as pessoas se revezam sentadas na cadeira e fechando os olhos com ela. Ao longo de quase três meses, durante oito horas por dia, ela encontrou o olhar de mais de mil desconhecidos, muitos dos quais foram levados às lágrimas. Durante o espetáculo tocante de Abramović, dois aspectos marcantes foram o "tempo" e o "magnetismo", isto é, duas ferramentas usadas por Marina para controlar a percepção da audiência. Por um lado, a alteração do "tempo" produz diferentes resultados em uma performance e, dessa maneira, Abramović passa sete horas por dia olha para estranhos e qualquer ação minúscula durante o evento afeta por longos períodos e gera uma resposta emocional do público. Durante um longo período, ela desacelera o cérebro por meio da criação de um contraste entre tempo e interação. Por outro lado, há o "magnetismo" demonstra o efeito da empatia mútua compartilhada entre Marina e a audiência. Essa ligação cria vulnerabilidade e permite uma experiência mais íntima e pessoal, além de revelar tristezas suprimidas nos visitantes. Assim, os próprios membros da audiência, inconscientemente, analisam seus próprios pensamentos e seus sentimentos enquanto mantém um estado de vulnerabilidade.
ABRAMOVIĆ, Marina. The Artist Is Present. Performance. New York: MoMA, 2010.
Na etapa atual, o objetivo é a formulação escrita da ideia, isto é, a extração do imaginário e a concordância entre os colegas de classe sobre a estruturação do objeto paramétrico coletivo. Para isso, utilizamos de um manuseio de um objeto "invisível", entre o grupo (Eduardo Selga, Elisa Teixeira e João Tavares), para que a imaginação fosse estimulada. Dessa forma, a base para o trabalho foi uma junção dos objetos paramétricos individuais e suas funções e a ideia de um possível uso de eletrônica, para que pudesse haver movimento. Segue abaixo o esboço das ideias:
Ao ler o livro "Lições de Arquitetura", Herman Hertzberger, na aula do dia 20 de junho de 2022, foi solicitado a fazer a dinâmica da dispersão, discutir alguns conceitos e a analogia expressa, criada pela relação entre projetos, espaços. e pessoas. Foram quatro rodadas de 25 minutos, com cada participante desempenhando um papel diferente. A sintegração com toda certeza nos auxiliará futuramente no desenvolvimento de mais atividades e projetos.
RODADA 1 (DISCUSSÃO) - (A) Público e privado; Demarcações Territoriais; Diferenciação Territorial; Zoneamento Territorial; De usuário a morador; [Sala 1]
RODADA 2 (CRÍTICA) - (B) A estrutura como espinha dorsal generativa: urdidura e trama; Grelha; [Sala 8]
RODADA 3 (DISCUSSÃO) - (A) A Rua; O domínio público; [Sala 11]
RODADA 4 (CRÍTICA) - (A) O espaço público como ambiente construído [Sala 16]
HERTZBERGER, Herman. Lições de arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
Entre uma das habituais visitas ao Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG em Belo Horizonte, houve uma dinâmica em que deveríamos produzir um desenho de observação, agora demorado, de algum local do Museu. Entretanto, diferentemente das outras vezes, agora a produção deveria ser acompanhada de uma soundtrack, Für Alina de Arvo Pärt. O uso da música durante o processo certamente favoreceu o foco e a imersão durante os traços. O local escolhido foi o Palacinho, ou melhor, Centro de Referência em Cartografia Histórica (CRCH).
A partir da leitura e pesquisa de algumas obras e visando uma análise de suas interfaces, um seminário sobre Design de Interação foi apresentado no auditório do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. A apresentação em questão foi elaborada pelos alunos: Eduardo Selga, Elisa Teixeira, Guilherme Sanches, Hugo de Araújo, João Tavares & Pablo Bianchini. Dessa forma, duas obras foram escolhidas, analisadas e explicadas pelos mesmos.








































