Durante uma visita ao Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (MHNJB), realizamos uma dinâmica em que tÃnhamos alguns minutos para transformar um papel sulfite A4 em uma representação de luz e sombra. Dessa maneira, utilizei tesoura para recortar tirar de mesmo tamanho e cola para dispô-las em diferentes posições, criando, assim, uma sequência de tamanhos que, posteriormente, ao serem posicionados diante da luz, criaram inusitadas sombras. Esses foram os resultados:
Como o ser humano deixou de controlar para ser um mero funcionário dos objetos? Como já dito anteriormente, escolhi uma câmera por diversos fatores. Por um lado, existem suas caracterÃsticas humanizadas que se aproximam do ser humano e, por outro lado, há caracterÃsticas relacionadas a sua funcionalidade, ou seja, a fotografia demonstra como um momento se torna uma imagem e, segundo Flusser, a emergência de "imagens técnicas" são caracterÃsticas primordiais desses tempos. E que tempos são esses? Cito, dessa forma, o documentário "O Dilema das Redes", que aborda tempos atuais em que há alteração existencial por manipulações desonestas e intencionais em um momento extremamente oportuno, isto é, o deslumbramento e o consumo desenfreado e ingênuo das redes. Através de aparelhos (como minha máquina fotográfica), tais "imagens técnicas" tornam-se fruto de uma teoria cientÃfica que orienta um programa, consequentemente, apenas quem é familiarizado com o programa detém o domÃnio sobre elas e que é, inclusive, uma questão abordada no documentário. Atualmente, as imagens podem ser facilmente transportadas através dessa rede e, em simultâneo, não saÃrem do lugar (o dispositivo em que é usado para visualizá-la), o que expõe, inclusive, a superficialidade do espaço público, antes usado para busca de informação além do próprio dispositivo. Os aparelhos de TV, por exemplo, são mencionados por Flusser para justificar a superficialidade em questão, afirmando-se que, agora, é em função deles que "a humanidade é animada", dado que os objetos agora têm a função de programar a humanidade, ou melhor, nos tornamos meros objetos em detrimento dos modelos de comportamentos projetados por essas imagens. Além disso, no final de seu texto, "Animação Cultural", Flusser também cita uma revolução dos objetos que é, justamente, sobre a lutas deles, a partir do controle sobre nós, tendo como meta a nossa objetificação. No entanto, é necessária uma consciência crÃtica e filosófica sobre a rede que nos prende de modo a invertermos os papeis por completo de não trabalharmos e dependermos viciosamente para com os objetos.
FLUSSER, Vilém. Animação Cultural. Ficções filosóficas. São Paulo: Edusp, 1998. pp. 143-147.
Condicionados pela necessidade do uso de ferramentas, o homem, que antes as criava visando ultrapassar barreiras e solucionar empecilhos, hoje, detém aos objetos o sÃmbolo de apenas satisfação da necessidade, não mais necessitando de sua criação, como é o caso, por exemplo, dos aparelhos celulares, criados com especÃfica razão da fácil, rápida e curta comunicação. Entretanto, o ser humano é, atualmente, condicionado a seu uso devido a inúmeras razões, desde pesquisas e buscas por informações, até marcações de consultas, trabalho e buscas por parceiros. Dessa forma, conclui-se que objetos não mais são criados para suprir tarefas únicas, mas agora nos torna reféns de inúmeras atividades de nosso dia-a-dia. Atrelado a isso, o homem passa a esforçar-se para aprimorar os objetos em mãos, ou seja, "comportas-se em função" do "próprio funcionamento" (FLUSSER, 1998), para que tais objetos possam ser melhorados e, consequentemente, dependamos mais de sua funcionalidade e submissos de seu uso. Fica claro, portanto, que o homem não dispõe, ainda, a noção de que, 1) ao criar, se torna eternamente dependente (também) da busca de sua evolução 2) a humanização das coisas é deixada de lado e substituÃda apenas pelo caráter próprio e objetivo. Por fim, fica a reflexão de Kant sobre a objetificação, sendo uma "aspectualização" dada pela redução dos fenômenos a feixes de representações intuitivas ou discursivas, isto é, o que se busca é apresentar as coisas de tal maneira que seja possÃvel descobrir não o que são, mas o que a natureza faz das coisas. Assim, podemos nós mesmos passar a modificar e produzir as coisas de acordo com nossos fins técnico-práticos e, principalmente (e o que se tem perdido), moral-práticos.
FLUSSER, Vilém. Animação Cultural. Ficções filosóficas. São Paulo: Edusp, 1998. pp. 143-147.
Numa atividade em que se deveria escolher um objeto que nos representasse, decidi optar por uma câmera analógica que me foi dada por uma pessoa muito especial. Confesso, entretanto, a dificuldade de se escolher algo que pudesse associar algumas caracterÃsticas que tenho. Por um lado, essa analógica tem um papel funcional para mim, isto é, me permite congelar momentos em uma estética antiga, agradável e com personalidade. Além disso, seus filmes geralmente têm 36 poses, ou seja, tenho apenas 36 cliques e, consequentemente, 36 fotos únicas que devem ser bem pensadas. Câmeras analógicas também produzem pensamentos sobre como fotos são tiradas, observar os mecanismos de um filme antigo te ajuda a entender como eles funcionam. As digitais podem até ser boas, mas, diferente das analógicas, não conseguem demonstrar como um momento se torna uma imagem. Por outro lado, existem as caracterÃsticas dessa câmera que se aproximam do que sinto e sou. Como já citado, o número de fotos que uma analógica oferece é limitado, pensar antes de tirar, talvez, a "foto perfeita" requer decisões sobre qual a melhor luz ou enquadramento e, da mesma forma, minha vida se resume a um esforço para parar, respirar, pensar e decidir a melhor maneira de conseguir minha "foto perfeita" (lembro, inclusive, uma vez em que comprei um filme recomendado para ser utilizado em luz do dia e eu acabei arriscando e tirei com iluminação artificial e, no final, todas vieram em azul, o que me frustrou profundamente, dado que o momento em que usei o filme era extremamente significativo para mim). Assemelho-me, também, enquanto a câmera prende momentos especiais que se tornam extremamente saudosos. Como qualquer ser humano melancólico rs, me apego e prendo a momentos passados que me trouxeram tantos sentimentos positivos que, à s vezes, tenho dificuldade de aceitar que as coisas mudam constantemente e reconhecer os momentos apenas como o que, literalmente, são: momentâneos e passageiros. Em resumo, dentre tantos fatores que aproximam a Elisa e a analógica, deixo claro que meu favorito é enxergar. Sim, enxergar. Ao usá-la, me permito parar, focar, respirar, observar, pensar e enxergar real e profundamente o que se encontra em minha frente, permitindo-me ser mais observadora e aproveitar o momento em que me encontro. Por fim, deixo aqui alguns momentos recentes e especiais que vivi com ela:










