Pensamentos sobre Flusser
April 26, 2022Condicionados pela necessidade do uso de ferramentas, o homem, que antes as criava visando ultrapassar barreiras e solucionar empecilhos, hoje, detém aos objetos o símbolo de apenas satisfação da necessidade, não mais necessitando de sua criação, como é o caso, por exemplo, dos aparelhos celulares, criados com específica razão da fácil, rápida e curta comunicação. Entretanto, o ser humano é, atualmente, condicionado a seu uso devido a inúmeras razões, desde pesquisas e buscas por informações, até marcações de consultas, trabalho e buscas por parceiros. Dessa forma, conclui-se que objetos não mais são criados para suprir tarefas únicas, mas agora nos torna reféns de inúmeras atividades de nosso dia-a-dia. Atrelado a isso, o homem passa a esforçar-se para aprimorar os objetos em mãos, ou seja, "comportas-se em função" do "próprio funcionamento" (FLUSSER, 1998), para que tais objetos possam ser melhorados e, consequentemente, dependamos mais de sua funcionalidade e submissos de seu uso. Fica claro, portanto, que o homem não dispõe, ainda, a noção de que, 1) ao criar, se torna eternamente dependente (também) da busca de sua evolução 2) a humanização das coisas é deixada de lado e substituída apenas pelo caráter próprio e objetivo. Por fim, fica a reflexão de Kant sobre a objetificação, sendo uma "aspectualização" dada pela redução dos fenômenos a feixes de representações intuitivas ou discursivas, isto é, o que se busca é apresentar as coisas de tal maneira que seja possível descobrir não o que são, mas o que a natureza faz das coisas. Assim, podemos nós mesmos passar a modificar e produzir as coisas de acordo com nossos fins técnico-práticos e, principalmente (e o que se tem perdido), moral-práticos.
FLUSSER, Vilém. Animação Cultural. Ficções filosóficas. São Paulo: Edusp, 1998. pp. 143-147.


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