De dominador à dominado

April 30, 2022

Como o ser humano deixou de controlar para ser um mero funcionário dos objetos? Como já dito anteriormente, escolhi uma câmera por diversos fatores. Por um lado, existem suas características humanizadas que se aproximam do ser humano e, por outro lado, há características relacionadas a sua funcionalidade, ou seja, a fotografia demonstra como um momento se torna uma imagem e, segundo Flusser, a emergência de "imagens técnicas" são características primordiais desses tempos. E que tempos são esses? Cito, dessa forma, o documentário "O Dilema das Redes", que aborda tempos atuais em que há alteração existencial por manipulações desonestas e intencionais em um momento extremamente oportuno, isto é, o deslumbramento e o consumo desenfreado e ingênuo das redes. Através de aparelhos (como minha máquina fotográfica), tais "imagens técnicas" tornam-se fruto de uma teoria científica que orienta um programa, consequentemente, apenas quem é familiarizado com o programa detém o domínio sobre elas e que é, inclusive, uma questão abordada no documentário. Atualmente, as imagens podem ser facilmente transportadas através dessa rede e, em simultâneo, não saírem do lugar (o dispositivo em que é usado para visualizá-la), o que expõe, inclusive, a superficialidade do espaço público, antes usado para busca de informação além do próprio dispositivo. Os aparelhos de TV, por exemplo, são mencionados por Flusser para justificar a superficialidade em questão, afirmando-se que, agora, é em função deles que "a humanidade é animada", dado que os objetos agora têm a função de programar a humanidade, ou melhor, nos tornamos meros objetos em detrimento dos modelos de comportamentos projetados por essas imagens. Além disso, no final de seu texto, "Animação Cultural", Flusser também cita uma revolução dos objetos que é, justamente, sobre a lutas deles, a partir do controle sobre nós, tendo como meta a nossa objetificação. No entanto, é necessária uma consciência crítica e filosófica sobre a rede que nos prende de modo a invertermos os papeis por completo de não trabalharmos e dependermos viciosamente para com os objetos.

 FLUSSER, Vilém. Animação Cultural. Ficções filosóficas. São Paulo: Edusp, 1998. pp. 143-147. 

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