SOBRE MIM
Eu já li um livro de Luigi Pirandello que explodiu a minha cabeça. O personagem principal vai à loucura quando percebe que ninguém realmente o conhece. A essência da pessoa que você pensa como "você" existe só para você mesmo, e nem mesmo você realmente conhece quem é esse. Cada pessoa que você conhece, tem um relacionamento ou faz contato visual na rua, cria uma versão de "você" em sua mente. Você não é a mesma pessoa que sua mãe, seu pai, seus parentes, seus colegas de turma, seus vizinhos ou seus amigos. Existem mil diferentes versões de você por aÃ, na cabeça das pessoas. Um "você" existe em cada versão, no entanto, seu "você", "você mesmo", não é realmente um "alguém".
A dificuldade de saber dizer, enfim, o que sou, é justamente pela infinidade de Elisas que existem em mim e nos outros. A confusão entre todas e o empecilho de apenas SE ver. Julgo que talvez fui tão cem porcento de cada Elisa que, hoje, já não me cabe dizer o que sou ou deixo de ser. Quem eu sou? Estou sempre entre a urgência de me esconder e o desejo de ser vista; entre a adrenalina do incerto e a segurança do absoluto; entre a necessidade de ser livre e a ideia de ter raÃzes.
No final, talvez Pirandello esteja certo e nem mesmo a Elisa que sou agora seja realmente a Elisa que sou e penso. Mas, devo admitir, que já faz um longo tempo em que tento viver sem pensar em todas as versões de mim. Agora, sigo acreditando no que vejo (agora), sinto (nesse segundo) e almejo ser (a cada novo dia). Talvez, e só talvez, a resposta para Quem eu sou? seja eu apenas ser.








