Da Analógica à analogia de mim
April 26, 2022Numa atividade em que se deveria escolher um objeto que nos representasse, decidi optar por uma câmera analógica que me foi dada por uma pessoa muito especial. Confesso, entretanto, a dificuldade de se escolher algo que pudesse associar algumas características que tenho. Por um lado, essa analógica tem um papel funcional para mim, isto é, me permite congelar momentos em uma estética antiga, agradável e com personalidade. Além disso, seus filmes geralmente têm 36 poses, ou seja, tenho apenas 36 cliques e, consequentemente, 36 fotos únicas que devem ser bem pensadas. Câmeras analógicas também produzem pensamentos sobre como fotos são tiradas, observar os mecanismos de um filme antigo te ajuda a entender como eles funcionam. As digitais podem até ser boas, mas, diferente das analógicas, não conseguem demonstrar como um momento se torna uma imagem. Por outro lado, existem as características dessa câmera que se aproximam do que sinto e sou. Como já citado, o número de fotos que uma analógica oferece é limitado, pensar antes de tirar, talvez, a "foto perfeita" requer decisões sobre qual a melhor luz ou enquadramento e, da mesma forma, minha vida se resume a um esforço para parar, respirar, pensar e decidir a melhor maneira de conseguir minha "foto perfeita" (lembro, inclusive, uma vez em que comprei um filme recomendado para ser utilizado em luz do dia e eu acabei arriscando e tirei com iluminação artificial e, no final, todas vieram em azul, o que me frustrou profundamente, dado que o momento em que usei o filme era extremamente significativo para mim). Assemelho-me, também, enquanto a câmera prende momentos especiais que se tornam extremamente saudosos. Como qualquer ser humano melancólico rs, me apego e prendo a momentos passados que me trouxeram tantos sentimentos positivos que, às vezes, tenho dificuldade de aceitar que as coisas mudam constantemente e reconhecer os momentos apenas como o que, literalmente, são: momentâneos e passageiros. Em resumo, dentre tantos fatores que aproximam a Elisa e a analógica, deixo claro que meu favorito é enxergar. Sim, enxergar. Ao usá-la, me permito parar, focar, respirar, observar, pensar e enxergar real e profundamente o que se encontra em minha frente, permitindo-me ser mais observadora e aproveitar o momento em que me encontro. Por fim, deixo aqui alguns momentos recentes e especiais que vivi com ela:






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