O afastamento da arte e a produção de não-objetos

July 23, 2022

Ferreira Gullar mostra que a arte mais avançada deste século se afasta de seus métodos tradicionais, produzindo objetos especiais, que ele chama de não-objetos. Sem pintura ou desenho, aconteceria "fora dos limites convencionais da arte", e seu objetivo era romper os limites impostos pela cultura artística. O autor deixa claro que o que um não-objeto não é: objeto negativo, oposto do objeto, anti-objeto (uma análise clara da arte conceitual). Além disso, ele ressalta que o não-objeto não é é temporário, trata-se do que se diz, ou seja, de todo o conhecimento que o trabalho agrega à vida. Você se coloca, fala por você, muda o espaço, cuida do lugar, como mostra Ferreira Gullar no texto quando fala em tirar a moldura. Em outra parte do texto, Gullar fala sobre o modelo "hermético", que visa revelar um panorama ou "topografia" das ideias artísticas, aparentemente sugerindo explicações tanto para o processo quanto para a recepção das obras. Em suma, Gullar definiu um objeto como o que acontece na vida cotidiana (uma caneta, uma borracha, etc.), e o não-objeto como algo inacabado em relação ao seu uso e não é apenas uma caneta e não se esgota em referência ao significado, não é a única coisa usada para escrever, apagar, etc. Além disso, ressalta a diferença entre Concreto e Neoconcreto, onde o Neoconcreto aproxima a vida da arte e não se opõe ao objeto. O autor deixa claro que a ação do usuário não consome a obra, mas enriquece a obra. Por fim, Gullar fala sobre a morte da pintura, onde fala sobre como a pintura mostra um episódio das ações de oposição à visão pictórica da realidade: o início da "morte" do objeto no espaço representacional. Além disso, o ensaio escrito por Gullar é curto, pois discute crítica de arte, filosofia existencial e fenomenológica, ao mesmo tempo em que dissemina a crença da arte brasileira.

 GULLAR, Ferreira. Teoria do não-objeto. Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, como contribuição à II Exposição Neoconcreta, realizada no salão de exposição do Palácio da Cultura, Estado da Guanabara, de 21 de novembro a 20 de dezembro de 1960. 

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